Campos magnéticos de baixas frequências, emitidos em particular por linhas de alta tensão, representariam um risco “possível” de leucemia em crianças que moram nas proximidades, alertou nesta sexta-feira (21) a agência de saúde francesa, a Anses.

Além disso, o órgão recomenda “como precaução” “não criar novas escolas perto das linhas de alta tensão”, mesmo que atualmente não tenha sido ainda demonstrado nenhum elo de causa e efeito direto entre os riscos para as crianças e os fios de alta tensão.

A Agência Nacional de Segurança Sanitária da França, que já havia alertado em 2010 sobre uma “possível associação entre a exposição a campos eletromagnéticos de baixa frequência e um risco a longo prazo de leucemia infantil”, diz que os novos estudos publicados desde então a levam a “reiterar” suas conclusões.

Os campos magnéticos de baixa frequência são todos aqueles cuja vibração é inferior a cerca de 8,3 kilohertz, o limiar para além do qual as radiofrequências começam. Eles são emitidos por redes de transmissão de eletricidade e transformadores elétricos, mas também pelos transportes, os ímãs, os eletrodomésticos e todos os cabos elétricos nos quais uma corrente possa circular.

No entanto, a maioria dos estudos epidemiológicos disponíveis relacionam o risco a frequências utilizadas para a transmissão de energia eléctrica, de 50 Hz ou 60 Hz, explica Olivier Merkel, chefe da unidade de avaliação de riscos ligados a agentes físicos da Anses.

Cerca de 40.000 crianças expostas

Vários destes estudos mostram um risco aumentado de leucemia infantil a partir de um certo limiar de exposição, medido entre 0,2 e 0,4 microteslas, a unidade de medição do campo magnético, acrescentou Merkel.

Cerca de 40.000 crianças menores de 15 anos estão expostas em casa a um nível ainda maior de campo magnético, de cerca de 0,4 microteslas, e 8.000 crianças que frequentam uma escola estiveram expostos a um nível mais elevado do que esse limite, de acordo com um estudo encomendado pela Anses e realizado pelo instituto público de pesquisa Inserm e pelo Hospital Universitário de Caen, na França.

Em vista desses dados, a Anses “reitera sua recomendação de limitar, por precaução, o número de pessoas expostas a linhas de alta tensão”. A Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (CIR), agência especializada da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a pesquisa do câncer, classificou em 2002 os campos magnéticos de frequência extremamente baixa – aqueles emitidos por instalações elétricas e postes de eletricidade – como “possíveis” carcinogênios para os seres humanos.