edson5Muitas coisas têm seu prazo de validade. Um carro, por exemplo, deve sofrer revisões periódicas para que possa estar em condições de uso. Um filtro de água de carvão ativado deve ser substituído de tempos em tempos. E é assim com muitos produtos.

Com a instalação elétrica não é diferente, pois ela é composta de componentes que se desgastam ao longo da sua utilização e chegam ao final da sua vida útil, devendo então ser realizada uma manutenção e substituição. Tomadas e interruptores têm sua vida útil estimada em manobras, ou seja, quantas vezes você aciona um interruptor ou insere e retira um equipamento da tomada. Da mesma forma o disjuntor e o DR têm sua vida útil estimada em manobras e atuações, porém estes últimos também têm sua vida útil reduzida à medida que os valores limites são atingidos, como por exemplo, a corrente de curto circuito no disjuntor.

Já o condutor tem sua vida útil estimada em até 30 anos, porém este componente sofre uma redução drástica de vida útil quando a sua utilização é submetida a situações de limites. O que isto significa? Vamos tentar explicar com um exemplo.

Imagine que um condutor de uma determinada seção (bitola) foi produzido para suportar uma corrente de 30 amperes, na condição de instalação em eletroduto fechado instalado em parede de alvenaria, e temperatura ambiente de 30 graus Celsius. Este condutor também suportaria uma corrente de curto circuito de 2 mil amperes (2Ka) por  100 micro segundos (todos os valores são fictícios e usados somente para exemplo).

Se usado dentro destes parâmetros, o condutor teria uma vida útil de aproximadamente 25 anos. Mas ao longo do tempo ele foi submetido, várias vezes, a uma sobrecarga de 35 amperes com durações que variaram de 2 a 5 minutos sem que o dispositivo de proteção (Disjuntor) atuasse. Também sofreu alguns curtos-circuitos com valores de 5 mil amperes (5Ka), por períodos de 80 microssegundos.

Estas condições certamente impuseram danos ao condutor, normalmente danificando a sua isolação, deixando-o vulnerável. Sua vida útil, certamente diminuiu e este valor não pode ser mais estimado. Neste caso o certo a fazer é substituir o condutor, redimensionando-o para a nova realidade das cargas que, provavelmente, será com seção maior para suportar as sobrecargas impostas pela carga e ampliações futuras. Da mesma forma, os dispositivos de proteção deverão ser recalculados para esta nova situação, e a avaliação dos demais componentes deverá ser realizada em conjunto.

Lembre-se: Uma instalação elétrica deve ser revisada a cada cinco anos, no mínimo. Desta forma você aumenta a sua vida útil.

Edson Martinho é engenheiro eletricista, palestrante e colunista em várias mídias. Atualmente é diretor-executivo da Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade (Abracopel) e presidente da Associação Brasileira de Eletricistas (Abrael).